Esparsos e parcos apontamentos

terça-feira, março 29, 2005

Poemeto Erótico


Teu corpo claro e perfeito,
- Teu corpo de maravilha,
Quero possuí-lo no leito
Estreito da redondilha...

Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa... flor de laranjeira...

Teu corpo, branco e macio,
É como um véu de noivado...

Teu corpo é pomo doirado...

Rosal queimado do estio,
Desfalecido em perfume...

Teu corpo é a brasa do lume...

Teu corpo é chama e flameja
Como à tarde os horizontes...

É puro como nas fontes
A água clara que serpeja,
Que em cantigas se derrama...

Volúpia da água e da chama...

A todo momento o vejo...
Teu corpo... a única ilha
No oceano do meu desejo...

Teu corpo é tudo o que brilha,
Teu corpo é tudo o que cheira...
Rosa, flor de laranjeira...




Manuel Bandeira A Cinza das Horas (1917)

segunda-feira, março 28, 2005

Saudades sopradas

Ciente da preguiça natural do leitor de blogues em averiguar os vizinhos propostos, plagio um parágrafo do Coroneu, imprevisível companheiro de viagem por paragens tão improváveis como geladas.

"Acontece sempre. Basta a permissividade do céu cinzento a uma nesga de sol e o Coroneu começa a soprar bolhas de saudade com a palavra Brasil lá dentro. Não só o Brasil dos turistas mas também. Quando algum amigo fala maravilhado das férias, o Coroneu não consegue evitar e pensa
O Brasil é meu não é teu
ou então
Esse não é o Brasil eu é que sei o que é o Brasil.
Acontece sempre. Com o sol o Coroneu viaja na maionese. E pensa Eu é que sei o que é o Brasil. Mas não sabe. Só os brasileiros sabem do que ainda há tanto para saber. Ao Coroneu até regressar resta-lhe soprar bolhas de saudade com a palavra Brasil lá dentro."

Hoje não há sol a lembrar nada que não a realidade.



Coroneu, encontramos-nos por ?

O Rei passou por cá!

Roberto Carlos Amor Perfeito

Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você
Anjo bom, amor perfeito no meu peito, sem você não sei viver
Então, vem que eu conto os dias conto as horas pra te ver
Eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem vocêeeeee

Os segundos vão passando lentamente, não tem hora pra chegar
Até quando te querendo, te amando, coração que te encontrar
Então, vem que nos seus braços esse amor é uma canção
E eu não consigo te esquecer
Cada minuto é muito tempo sem você, sem vocêeeeee



Eu não vou saber me acostumar
Sem suas mãos pra me acalmar
Sem seu olhar pra me entender
Sem seu carinho, amor sem você
Vem me tirar da solidão
Fazer feliz meu coração
Já não importa quem errou
O que passou, passou, então vem...

Mudei a cara...

.. mas o resto continua!

Pode ser que assim a malta deixe um comentariozito. Francamente!, vocês quando vão a casa de alguém permanecem calados depois de entrar?

Boa Páscoa!

quarta-feira, março 09, 2005

A pedido de algumas famílias...

... venho aqui actualizar o blogue.

Em boa e franca verdade, não tenho nada para dizer, à parte talvez de alguns postamentos interrompidos, devidamente arquivados à espera de melhores dias, ainda que estes sejam tão bons como outros vindouros ou passados.

Um postamento interrompido é aquele que não chega a ser publicado. Tem por vezes a sua génese na observação do Tejo através dos vidros baços de um catamarã de penúltima geração ou no assento de uma carruagem do subterrâneo em percurso verde, ali para os lados do Intendente.

São exemplos:

- já sei!, vou postar algo sobre o Casablanca que vi ontem, ainda a preto e branco... "this could be the beginning of a beautiful friendship" seria o mote ou mesmo o título e versaria sobre o Bogie e as suas aventuras homossexuais continuadas desde a guerra civil de Espanha às escapadelas ao escritório com o Ugarte... naaa, demasiado batido, ainda mais depois de ler o livro daquele exibicionista cultural, ainda vão pensar de mim o que eu pensei dele! Além disso, era mais criativo arrimá-lo com o Sam ou com um dos travestis do coro...

- oh!, vou lá por finalmente os meus objectivos para 2005, tipo deixar de ler o Expresso, ler Heidegger, descobrir finalmente o que é filosofia pré-socrática, escrever um romance a meias com um tia onde emprego de forma obsessiva as expressões "rebanhos de pulseiras", "montes de pequenos montinhos que parecem montanhas" e "tinha berlicoques dependurados nos sapatos" ou ser capaz de dobrar colheres com o poder da mente... mas não é boa ideia, a não ser que queira ter os leitores em cima de mim no começo de 2006 para ver se tudo foi feito (e já agora qual o nome da tia);

- hummm, posso também por aqui uma fotografia muito muito muito muuuuuuuuuuito feia e insultar toda a gente, mas serão os leitores desta páginas poucos ou apenas parcos?

- anacolutos, pode ser essa a chave, um anacoluto por postamento é algo que sempre me apraz e bem-dispõe, por isso até posso fazer um postamento dedicado ao assunto.. mas espera, primeiro tenho que descobrir o que quer dizer anacoluto.. e anódino e sinédoque e hermenêutica...

Quem não aparece esquece e, como tal, decidi-me a deixar escorrer a verborreia acumulada na ponta dos dedos entre estudos de filosofia clássica e economia global, ainda que não tenha interesse nenhum.

Quem disse que estas disciplinas não têm ligação? Eu não certamente, nem me passa pelas ideias dizer isso, nem sequer o contrário, chiça! Creio que todas as ideias têm alguma ligação, até porque este texto, aparentemente disconexo, foi escrito de uma só vez, nada de técnicas de mosaico (olhó exibicionismo musical) ou de índole diversiva... pelo menos na minha cabeça, as ideias fluiram com alguma lógica associativa que ninguém é obrigado a compreender por completo, se é que isso lhe causa algum prurido.

Duvidas na linha verde... ali pros lados do Intendente!